segunda-feira, 26 de outubro de 2026
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Ibovespa cai 17% após vitória de Lula e B3 aciona circuit breaker
Ibovespa chegou a cair 17,34% nesta segunda-feira (26), após a reeleição de Lula; negociações foram suspensas por 30 minutos
26 de outubro de 2026 13:33
Redação
Lula durante o debate da Band. Foto: Renato Pizzutto/Band

A B3 acionou o circuit breaker nesta segunda-feira (26), após o Ibovespa registrar queda de 10% em relação ao fechamento do pregão anterior. A medida suspendeu as negociações no mercado à vista por 30 minutos. Os negócios foram retomados às 10h38, mas a Bolsa continuou registrando fortes perdas após a reeleição de Lula (PT) à Presidência da República, confirmada no domingo (25).

O principal índice da Bolsa brasileira chegou à mínima de 169.516,43 pontos, com recuo de 17,34%. O movimento ocorreu em meio à reação dos investidores ao resultado eleitoral e às preocupações com a condução da política fiscal do país. <Cite refs={[“turn922936search0″,”turn922936search1”]}/>

Por que a Bolsa caiu?

Parte dos investidores apostava na vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL), que sinalizava uma política fiscal menos expansionista que a de Lula. Com a confirmação da vitória do petista, parte do mercado passou a rever essas expectativas, aumentando a aversão ao risco.

Segundo Luis Ferreira, diretor de investimentos para as Américas do EFG, a volatilidade reflete principalmente a mudança nas expectativas dos investidores. Entre os papéis pressionados estavam as ações da Petrobras e do Banco do Brasil.

De acordo com Ferreira, as ações preferenciais da Petrobras caíam 12%, enquanto as ordinárias recuavam 10%. Os papéis do Banco do Brasil registravam baixa de 31%, conforme os dados citados pelo executivo.

Para o diretor, o movimento representa principalmente um ajuste de posicionamento dos investidores, após a valorização de ativos brasileiros associada à expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro.

Especialistas apontam preocupação com as contas públicas

Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, avaliou que a correção dos ativos era esperada, embora o resultado eleitoral tenha surpreendido parte do mercado.

Uma das principais preocupações dos investidores, segundo Magno, é a trajetória das contas públicas brasileiras a partir de 2027, diante da possibilidade de aumento de benefícios e despesas do governo.

Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos, também apontou preocupações com a continuidade de gastos elevados, a manutenção do crédito subsidiado e a adoção de políticas que possam ampliar a dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).

Nesse cenário, Teles avalia que os juros futuros tendem a subir, refletindo as incertezas sobre a política fiscal.

Circuit breaker não era acionado desde 2020

O último acionamento do circuit breaker na B3 havia ocorrido em março de 2020, durante a turbulência provocada pela pandemia de Covid-19. Naquele mês, o mecanismo foi utilizado seis vezes.

Criado em 1997, o sistema interrompe temporariamente as negociações quando o mercado registra quedas expressivas. Segundo os dados citados na reportagem, o acionamento desta segunda-feira foi o 24º desde a criação do mecanismo e o primeiro relacionado a uma eleição presidencial brasileira.

Pelas regras da B3, quando o Ibovespa cai 10% em relação ao fechamento anterior, as negociações são interrompidas por 30 minutos. Se, após a retomada, a queda atingir 15%, ocorre uma nova suspensão, de uma hora. Caso o recuo chegue a 20%, a Bolsa pode interromper os negócios por prazo indeterminado. <Cite refs={[“turn922936search2″,”turn922936search10”]}/>

Ibovespa futuro também registra forte queda

Os contratos futuros do Ibovespa também sofreram perdas expressivas. No início do pregão, o índice futuro chegou a recuar 14,84%, aos 177.215 pontos, levando a B3 a ampliar os limites de oscilação permitidos.

Após novas alterações nos limites, o contrato chegou a registrar queda de 19,84%, aos 166.800 pontos, conforme os dados informados.

Às 11h48, o Ibovespa recuava 16,15%, aos 171.931,23 pontos. Naquele momento, parte das ações ainda estava em leilão, situação que, segundo Gabriel Magno, poderia influenciar as oscilações do índice.

Entre as 76 ações consideradas no levantamento, seis registravam alta. A Suzano liderava os ganhos, com valorização de 8,57%. Já a Vamos apresentava a maior queda, de 56,94%, em meio à disparada dos juros futuros.

Mercado acompanha decisão do Federal Reserve

No cenário internacional, os investidores acompanham nesta semana a decisão sobre juros do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, além da divulgação dos balanços financeiros de empresas brasileiras e estrangeiras.

Os acontecimentos podem influenciar o comportamento dos mercados nos próximos pregões, em um momento de forte volatilidade nos ativos brasileiros.

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