
O ex-secretário de Proteção e Defesa do Consumidor de João Pessoa, Júnior Pires, negou envolvimento com organizações criminosas após ser alvo da Operação Zona de Influência, deflagrada pela Polícia Federal (PF) para investigar uma suposta negociação de apoio político-eleitoral com uma facção criminosa na Paraíba. Assista o pronunciamento abaixo.
O ex-gestor se pronunciou sobre o caso e a saída do cargo em um vídeo publicado nas redes sociais nessa terça-feira (13). Ele também afirmou que os valores apreendidos pela PF são compatíveis com sua renda.
Durante a operação, os agentes apreenderam R$ 220 mil em espécie, além do celular de Júnior Pires e de outro investigado.
“Parte dos valores foram declarados em 2025 na Receita Federal e outra parte são decorrentes de vendas de alguns bens que eu precisei realizar devido ao meu divórcio. Uma separação, a qual eu estou, há seis meses, resolvendo com a minha ex-esposa, mãe do meu filho”, declarou.
Após a operação, os advogados do ex-secretário também negaram qualquer envolvimento com organizações criminosas ou participação em eventual negociação de apoio político com facções. Segundo a defesa, Júnior Pires deixou o cargo para se dedicar à própria defesa e ao esclarecimento dos fatos investigados.

Antes do pedido de exoneração, a Justiça Eleitoral havia determinado o afastamento cautelar de Júnior Pires por 90 dias. A decisão foi tomada no âmbito das investigações da Operação Zona de Influência.
Após a determinação judicial, a defesa informou que o ex-secretário decidiu deixar o cargo para se dedicar exclusivamente à própria defesa e colaborar com o esclarecimento dos fatos.
A Prefeitura de João Pessoa informou que está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.

Deflagrada em 29 de setembro, a Operação Zona de Influência investiga uma suposta negociação de apoio político-eleitoral entre agentes políticos e integrantes de uma facção criminosa com atuação em comunidades da Paraíba.
Ao todo, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB). Durante as diligências, os policiais apreenderam R$ 220 mil em espécie.
Segundo a investigação, integrantes da facção teriam utilizado o controle territorial de comunidades para negociar apoio político e autorizar a entrada de candidatos nesses locais durante campanhas eleitorais.
Em contrapartida, são apurados possíveis pagamentos a uma liderança do grupo, o custeio de despesas de um centro comunitário e negociações envolvendo cargos ou empregos na administração pública, entre outros benefícios.
A investigação apura possíveis crimes eleitorais, organização criminosa, lavagem de dinheiro, domínio social estruturado e favorecimento ao domínio social estruturado.
As diligências buscam aprofundar a apuração e individualizar a conduta de cada pessoa investigada. Até o momento, as suspeitas estão sob investigação e não representam, por si só, comprovação de culpa.