
Especialistas alertam que diagnóstico precoce aumenta as chances de cura e recomendam atenção a feridas que não cicatrizam em até 15 dias
O câncer de boca é o quinto tipo de tumor mais frequente entre os homens brasileiros e responde por quase metade dos cerca de 40 mil casos anuais de câncer de cabeça e pescoço registrados no país. Apesar da alta incidência, a doença ainda é pouco discutida e, na maioria das vezes, é diagnosticada em estágios avançados.
Especialistas destacam que a identificação precoce aumenta significativamente as chances de sucesso no tratamento e pode evitar procedimentos mais agressivos. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa é de 17.190 novos casos de câncer de boca por ano no Brasil durante o triênio 2023-2025/2026-2028.
Os dados também mostram que a doença provoca, em média, 7.156 mortes anuais, sendo 5.430 entre homens e 1.726 entre mulheres.
De acordo com o especialista Dr. Roberto Figueiredo (Dr. Bactéria) e o cirurgião-dentista Ronaldo Dias, o câncer de boca costuma ser silencioso no início e, diferentemente de uma afta, geralmente não provoca dor.
Por isso, qualquer alteração que permaneça por mais de 15 dias deve ser avaliada por um cirurgião-dentista.
Os especialistas orientam atenção para sinais como:
O tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas continuam entre os principais fatores associados ao desenvolvimento da doença.
Especialistas também alertam para os riscos relacionados ao uso de cigarros eletrônicos (vapes) e narguilé, que podem causar danos semelhantes ou até superiores aos do cigarro convencional.
Outros fatores de risco incluem:
Segundo os especialistas, os casos associados ao HPV têm atingido pessoas cada vez mais jovens. Estudos apontam que pacientes com câncer de orofaringe relacionado ao vírus apresentam índices de sobrevida em cinco anos que podem chegar a 80%.
Entre as principais recomendações estão:
A campanha “O Exame que Salva”, criada pelo cirurgião-dentista Ronaldo Dias em parceria com Dr. Bactéria, incentiva a população a examinar a boca a cada 15 dias, utilizando um espelho para observar possíveis alterações.
Caso seja identificada alguma lesão suspeita, a recomendação é procurar um profissional para avaliação. Se necessário, será realizada uma biópsia, procedimento considerado simples pelos especialistas e fundamental para confirmar ou descartar o diagnóstico.
Segundo o dentista Ronaldo Dias, a realização da biópsia pode evitar tratamentos mais complexos e cirurgias que comprometam estruturas da boca e da face.