
O tecnologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e um dos profissionais que participaram da concepção original da urna eletrônica, Antonio Esio Marcondes Salgado, afirmou que o equipamento é seguro, passa por auditorias constantes e recebe atualizações para reforçar a proteção do processo eleitoral. As declarações foram feitas durante entrevista ao programa Paraíba Verdade, da Arapuan FM 95,3, nesta sexta-feira (7).
Segundo Antonio Esio, a urna eletrônica foi desenvolvida para garantir a fidelidade da vontade do eleitor e, ao longo dos últimos 30 anos, passou por sucessivas evoluções tecnológicas para acompanhar as novas exigências de segurança da informação.
O especialista explicou que, antes de cada eleição, a Justiça Eleitoral promove um Teste Público de Segurança, permitindo que pesquisadores e especialistas tentem identificar possíveis vulnerabilidades no sistema.
“Todo cidadão pode se inscrever, propor testes para o sistema, que é aberto e auditável. Se for encontrada alguma inconsistência, ela é corrigida e apresentada novamente antes da eleição”, destacou.
Antonio Esio lembrou que, na última edição dos testes, realizada em Brasília, mais de cem grupos se inscreveram para participar. Segundo ele, nenhuma falha de segurança foi encontrada, mas sugestões de aprimoramento foram incorporadas ao sistema que será utilizado nas próximas eleições.
Durante a entrevista, o especialista também comentou as críticas direcionadas à urna eletrônica. Para ele, questionamentos técnicos são importantes, pois contribuem para o aperfeiçoamento do sistema. Já críticas sem fundamento, segundo afirmou, acabam apenas gerando desinformação sobre o processo eleitoral.
“Os técnicos que conhecem o sistema e apresentam críticas são bem-vindos. A Justiça Eleitoral quer que o sistema seja auditado e tenha participação da comunidade técnica”, afirmou.
Antonio Esio destacou ainda que universidades e instituições públicas, como o Inpe, participam do desenvolvimento e dos testes da urna eletrônica em parceria com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Ao comentar a evolução da urna eletrônica, Antonio Esio explicou que diversos componentes foram modernizados ao longo das últimas três décadas.
Entre as mudanças, ele citou:
Segundo o especialista, caso qualquer etapa da verificação apresente irregularidade, a urna impede automaticamente o seu funcionamento.
“Quando a urna é ligada, ela verifica se todos os componentes e o software são os oficiais da Justiça Eleitoral. Se alguma etapa falhar, ela simplesmente não funciona”, explicou.
Antonio Esio também ressaltou que o modelo brasileiro foi desenvolvido para atender às características da legislação eleitoral do país e, por isso, possui diferenças em relação aos equipamentos utilizados em outras nações.