
As pesquisas eleitorais são um dos principais instrumentos para medir o cenário de uma eleição em determinado momento. No entanto, dúvidas sobre margem de erro, metodologia, mudanças nos números e credibilidade dos institutos ainda são frequentes entre eleitores. Especialistas reforçam que compreender como esses levantamentos são produzidos é essencial para interpretar corretamente os resultados e evitar a disseminação de desinformação.
As regras para o registro e divulgação de pesquisas eleitorais estão previstas na Lei nº 9.504/1997 e na Resolução TSE nº 23.600/2019, atualizada pela Resolução nº 23.747/2026. A legislação determina critérios de transparência, mas não estabelece uma metodologia única para a realização das pesquisas nem obriga os institutos a utilizarem uma base específica para compor suas amostras.
Segundo a Justiça Eleitoral, cada instituto deve informar de forma clara quais fontes utiliza para construir a amostra, especialmente em relação às variáveis de sexo, idade, escolaridade e renda. Na prática, a maioria utiliza os dados do Censo Demográfico 2022, do IBGE.
O estatístico Bruno Agra, responsável pelo Instituto ANOVA, explica que a definição da amostra segue critérios científicos.
“O tamanho da amostra é calculado considerando a população do município, o nível de confiança desejado e a margem de erro. Em pesquisas eleitorais, normalmente se trabalha com 95% de nível de confiança, enquanto a margem de erro diminui à medida que aumenta o número de entrevistas.”
Outro desafio, segundo ele, é definir onde serão realizadas as entrevistas.
Isso porque muitos municípios brasileiros não possuem uma divisão oficial dos bairros. Em diversas cidades, as localidades são conhecidas apenas por nomes populares, enquanto o próprio IBGE, em alguns casos, disponibiliza apenas a divisão entre população urbana e rural.
Por isso, os institutos realizam um planejamento estatístico para garantir que a pesquisa represente o eleitorado.
É comum que levantamentos realizados por institutos distintos apresentem números diferentes.
Segundo Bruno Agra, essas diferenças podem ocorrer por diversos fatores, entre eles:
O especialista destaca que a pesquisa representa apenas um retrato do momento em que foi realizada.
“Uma pesquisa séria não tem o objetivo de agradar candidatos ou contratantes. Ela busca retratar, com fidelidade, o cenário existente no momento da coleta das entrevistas.”

Uma dúvida comum entre os eleitores é acreditar que a Justiça Eleitoral certifica ou homologa os resultados divulgados.
Segundo as regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), isso não acontece.
A atuação da Justiça Eleitoral consiste em exigir o registro prévio da pesquisa e permitir que partidos, candidatos, Ministério Público e a sociedade fiscalizem todas as informações metodológicas.
Desde 1º de janeiro de 2026, toda pesquisa destinada à divulgação pública deve ser registrada no sistema PesqEle com antecedência mínima de cinco dias.

Para Bruno Agra, outro aspecto importante é analisar o histórico técnico dos institutos.
Segundo ele, fatores como transparência metodológica, rigor estatístico, experiência da equipe técnica e desempenho em eleições anteriores ajudam a avaliar a confiabilidade dos levantamentos.
O estatístico ressalta ainda que campanhas eleitorais modernas utilizam cada vez mais análises de dados e metodologia científica no planejamento estratégico.
Outro ponto destacado pelo especialista é que o comportamento do eleitor pode mudar ao longo da campanha.
Eleitores indecisos, por exemplo, costumam definir o voto nas semanas finais antes da eleição. Por isso, uma pesquisa representa apenas o cenário existente durante o período em que as entrevistas foram realizadas.
Segundo Bruno Agra, a interpretação dos resultados deve considerar sempre a metodologia empregada, a data da coleta e a credibilidade técnica do instituto responsável.


A cobertura das eleições na Paraíba terá um dos seus principais momentos no próximo 9 de agosto, quando o Sistema Arapuan, em parceria com a Band, realizará o primeiro grande Debate Arapuan – Governo da Paraíba, a partir das 20h.
O encontro reunirá os pré-candidatos ao Governo da Paraíba para apresentar propostas, discutir soluções para o Estado e responder a questionamentos sobre temas de interesse da população.
O debate será transmitido pela TV Arapuan, pelas rádios do Sistema Arapuan e pelo Portal Arapuan.
Os pré-candidatos ao Governo da Paraíba são: