terça-feira, 28 de julho de 2026
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Diretor do IML diz que corpo de motorista tinha sinais de tortura
Exames iniciais identificam lesões e marcas que serão detalhadas em laudo pericial para esclarecer a dinâmica da morte.
28 de julho de 2026 06:59
Thyago Lúcio - Portal Arapuan Victor Oliveira/Sistema Arapuan de Comunicação
Análise técnica segue em andamento para definir as circunstâncias do homicídio. Foto: Victor Oliveira/Sistema Arapuan de Comunicação

O diretor do Instituto de Medicina Legal (IML) da Paraíba, Flávio Fabres, afirmou que o corpo do motorista por aplicativo Washington Rodrigo, de 33 anos, encontrado morto em um hotel no bairro de Manaíra, em João Pessoa, apresentava elementos compatíveis com tortura. A declaração foi feita durante entrevista ao programa Paraíba Verdade, da Rádio Arapuan FM 95.3, nesta terça-feira (28).

Segundo o médico legista, os sinais observados durante os exames iniciais serão detalhados no laudo pericial, documento que deverá esclarecer as circunstâncias da morte e auxiliar a investigação da Polícia Civil.

“Tem sinais de tortura. O corpo apresentava materialidade dessa tortura, que vai ser bem estabelecida no laudo pericial.”

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Escoriações e amarrações reforçam análise inicial

Durante a entrevista, Flávio Fabres explicou que a caracterização da tortura não depende apenas de um único tipo de lesão.

Segundo ele, o corpo apresentava escoriações ao redor do nariz, além de outras marcas distribuídas pelo corpo. O diretor do IML também citou as amarrações encontradas na vítima como um dos elementos analisados pela perícia.

“Escoriações ao redor do nariz, escoriações no corpo e diversas lesões podem ser configuradas como elementos de tortura.”

O médico ressaltou que, quando o corpo chegou ao IML, as algemas já haviam sido retiradas pela perícia criminal para permitir a realização dos exames complementares.

Estrangulamento

Questionado sobre o tempo necessário para uma morte por estrangulamento, Flávio Fabres explicou que a asfixia pode provocar o óbito em até 10 minutos.

Segundo ele, esse tipo de morte normalmente provoca intenso sofrimento.

“São mortes que causam sofrimento. São agonizantes.”

O diretor do IML também afirmou que, durante esse período, é possível que a vítima tente reagir.

“Pode sim, pode ter reação, porque a pessoa não vai deixar você fazer isso.”

Asfixia e tortura podem qualificar o homicídio

Durante a entrevista, o médico lembrou que a asfixia é uma das circunstâncias que podem qualificar o crime de homicídio.

Ele acrescentou que a tortura também pode representar uma qualificadora, em razão do sofrimento imposto à vítima.

“A asfixia é um dos qualificadores do crime de homicídio. A tortura também é um outro meio que qualifica por causa do sofrimento imposto à pessoa.”

Laudo deve esclarecer dinâmica da morte

Ao ser questionado sobre possíveis sinais de reação da vítima e se Washington Rodrigo poderia ter ingerido bebida alcoólica ou alguma substância antes do crime, Flávio Fabres afirmou que esses detalhes dependem da conclusão da perícia.

Segundo ele, divulgar informações antes da finalização do laudo poderia comprometer o andamento das investigações.

“São detalhes que estão dentro do laudo. Se eu falar alguma coisa agora, isso pode ser utilizado contra o próprio contexto da investigação.”

A Polícia Civil segue investigando o caso e aguarda a conclusão dos exames periciais para definir a dinâmica do homicídio.


Caso Washington Rodrigo

  • Washington Rodrigo, de 33 anos, motorista por aplicativo, foi encontrado morto na madrugada de sexta-feira, 24 de julho em um quarto de hotel no bairro de Manaíra, em João Pessoa.
  • A vítima estava com as mãos amarradas, um pano na boca e um fio enrolado no pescoço. A principal suspeita é de morte por asfixia, mas a causa será confirmada pelo laudo do Instituto de Polícia Científica (IPC).
  • A investigação da Polícia Civil da Paraíba aponta que Washington e um adolescente de 17 anos, do Rio Grande do Norte, marcaram um encontro por meio de mensagens encontradas no celular da vítima. Segundo a polícia, o jovem utilizou identidade falsa para se hospedar no hotel.
  • Após o crime, o adolescente deixou o quarto e tentou fugir com o carro da vítima, mas não conseguiu porque o veículo possuía um dispositivo de segurança.
  • Na noite de segunda-feira, 27 de julho, ele se apresentou à Polícia Civil de Caicó (RN) acompanhado do advogado.
  • Em depoimento, o adolescente apresentou versões diferentes para o crime. Inicialmente, afirmou que queria apenas desmaiar Washington. Depois, alegou ter agido após sofrer uma suposta extorsão. As duas versões são contestadas pela investigação, que aponta inconsistências nos relatos.
  • O diretor do Instituto de Medicina Legal (IML), Flávio Fabres, afirmou que o corpo apresentava sinais compatíveis com tortura, como escoriações e outras lesões. A confirmação das circunstâncias da morte dependerá da conclusão dos laudos periciais.
  • O caso segue sendo investigado pela Delegacia da Infância e da Juventude de João Pessoa, que aguarda os exames periciais para concluir o inquérito e esclarecer toda a dinâmica do homicídio.
A Polícia Civil aguardam laudos periciais enquanto seguem buscas pelo investigado. Foto: Reprodução/Redes Sociais

Resumo da Notícia

  • O diretor do IML, Flávio Fabres, afirmou que o corpo apresentava sinais compatíveis com tortura.
  • A vítima tinha escoriações e outras lesões que serão detalhadas no laudo pericial.
  • Segundo o médico, uma morte por estrangulamento pode ocorrer em até 10 minutos.
  • O legista afirmou que a vítima pode ter reagido durante a asfixia.
  • A Polícia Civil aguarda o laudo do IML para esclarecer a dinâmica do homicídio.
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