
O diretor do Instituto de Medicina Legal (IML) da Paraíba, Flávio Fabres, afirmou que o corpo do motorista por aplicativo Washington Rodrigo, de 33 anos, encontrado morto em um hotel no bairro de Manaíra, em João Pessoa, apresentava elementos compatíveis com tortura. A declaração foi feita durante entrevista ao programa Paraíba Verdade, da Rádio Arapuan FM 95.3, nesta terça-feira (28).
Segundo o médico legista, os sinais observados durante os exames iniciais serão detalhados no laudo pericial, documento que deverá esclarecer as circunstâncias da morte e auxiliar a investigação da Polícia Civil.
“Tem sinais de tortura. O corpo apresentava materialidade dessa tortura, que vai ser bem estabelecida no laudo pericial.”
Durante a entrevista, Flávio Fabres explicou que a caracterização da tortura não depende apenas de um único tipo de lesão.
Segundo ele, o corpo apresentava escoriações ao redor do nariz, além de outras marcas distribuídas pelo corpo. O diretor do IML também citou as amarrações encontradas na vítima como um dos elementos analisados pela perícia.
“Escoriações ao redor do nariz, escoriações no corpo e diversas lesões podem ser configuradas como elementos de tortura.”
O médico ressaltou que, quando o corpo chegou ao IML, as algemas já haviam sido retiradas pela perícia criminal para permitir a realização dos exames complementares.
Questionado sobre o tempo necessário para uma morte por estrangulamento, Flávio Fabres explicou que a asfixia pode provocar o óbito em até 10 minutos.
Segundo ele, esse tipo de morte normalmente provoca intenso sofrimento.
“São mortes que causam sofrimento. São agonizantes.”
O diretor do IML também afirmou que, durante esse período, é possível que a vítima tente reagir.
“Pode sim, pode ter reação, porque a pessoa não vai deixar você fazer isso.”
Durante a entrevista, o médico lembrou que a asfixia é uma das circunstâncias que podem qualificar o crime de homicídio.
Ele acrescentou que a tortura também pode representar uma qualificadora, em razão do sofrimento imposto à vítima.
“A asfixia é um dos qualificadores do crime de homicídio. A tortura também é um outro meio que qualifica por causa do sofrimento imposto à pessoa.”
Ao ser questionado sobre possíveis sinais de reação da vítima e se Washington Rodrigo poderia ter ingerido bebida alcoólica ou alguma substância antes do crime, Flávio Fabres afirmou que esses detalhes dependem da conclusão da perícia.
Segundo ele, divulgar informações antes da finalização do laudo poderia comprometer o andamento das investigações.
“São detalhes que estão dentro do laudo. Se eu falar alguma coisa agora, isso pode ser utilizado contra o próprio contexto da investigação.”
A Polícia Civil segue investigando o caso e aguarda a conclusão dos exames periciais para definir a dinâmica do homicídio.
