quinta-feira, 24 de setembro de 2026
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Dino manda PF investigar atuação da CVM no caso Banco Master
Ministro do STF determinou abertura de investigação sobre possível omissão da autarquia na fiscalização de fundos ligados ao banco
24 de setembro de 2026 14:07
Redação com informações da Agência Brasil
Ministro do STF, Flávio Dino – (Foto: LUIZ SILVEIRA/STF)

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (24) que a Polícia Federal (PF) instaure um inquérito para apurar possíveis crimes relacionados à atuação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na fiscalização de fundos ligados ao extinto Banco Master.

A CVM é responsável pela fiscalização e supervisão do mercado de capitais.

Segundo Dino, há indícios que justificam a investigação de possíveis ilícitos relacionados à atuação de agentes públicos da CVM e de autoridades de alto escalão que teriam influenciado processos decisórios dentro da autarquia.

“Há indícios que configuram o dever legal de apuração de eventuais ilícitos relacionados à atuação funcional de agentes públicos ligados à Comissão de Valores Mobiliários, bem como de autoridades de alto escalão que teriam influenciado em processos decisórios na autarquia”, indicou o ministro.

Denúncia foi apresentada em 2022

Na decisão, Dino citou uma denúncia encaminhada à CVM em fevereiro de 2022, com informações sobre uma possível falta de liquidez do Grupo Master. O processo acabou arquivado pelo órgão sob a justificativa de falta de elementos para dar continuidade à apuração.

A denúncia apontava, entre outros pontos, inconsistências em demonstrações contábeis, possível manipulação das cotações de fundos abertos, reavaliação de ativos deteriorados mantidos em fundos fechados e utilização de recursos captados com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para adquirir ativos de baixa liquidez.

Para Dino, o arquivamento indica fatos que ultrapassariam possíveis falhas operacionais ou deficiências regulatórias e justificariam uma investigação sobre eventual prática de ilícitos penais e administrativos.

A denúncia havia sido encaminhada à CVM pelo FGC, que recebeu as informações por meio de uma comunicação anônima. Entre os fatos relatados estava a suspeita de que o Master vendia ativos sem liquidez já considerando a possibilidade de que os pagamentos fossem posteriormente assumidos pelo FGC.

Mais de R$ 3 bilhões em ativos

Segundo Dino, mais de R$ 3 bilhões, de aproximadamente R$ 5 bilhões captados com cobertura do FGC, estariam alocados em ativos sem liquidez ou de baixa qualidade.

O ministro também citou um relatório produzido pela Transparência Internacional – Brasil, segundo o qual a CVM não teria tomado providências de apuração antes de arquivar a denúncia.

A entidade apontou ainda que o processo foi submetido a um regime de sigilo que poderia impedir o acesso de outras unidades de supervisão ou fiscalização.

Investigação sobre fundos ligados a serviços funerários

Dino também mencionou fatos relacionados à concessão de serviços funerários pelo Grupo Master na cidade de São Paulo.

Uma investigação administrativa chegou a ser aberta pela CVM para apurar possíveis irregularidades no fundo responsável pelo pagamento da concessão. O procedimento, porém, foi arquivado após a aprovação de um acordo de R$ 2,9 bilhões.

Na decisão, Dino afirmou que os elementos reunidos indicam a possível participação de pessoas sujeitas à jurisdição penal originária do STF, o que, segundo ele, reforça a necessidade de acompanhamento direto das investigações pelo tribunal.

Flávio Dino é relator de uma ação que discute questões relacionadas à atuação da CVM.

Revisão das regras da CVM

No início desta semana, Dino já havia determinado que a União faça, no prazo de 90 dias, uma avaliação técnica e a reapreciação das regras que regulamentam a CVM. A decisão apontou fragilidades na fiscalização do mercado de capitais e determinou a análise das normas que tratam, entre outros pontos, da rastreabilidade das operações e dos mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro.

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