
O coordenador de Eleições Informatizadas e Segurança Cibernética do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB), José Cassimiro Júnior, explicou nesta segunda-feira (28), durante entrevista à BandNews FM João Pessoa, na frequência 101.1 FM, como funciona a segurança das urnas eletrônicas e a apuração dos votos.
Segundo Cassimiro, a urna eletrônica foi desenvolvida especificamente para as eleições e reúne mais de 30 camadas de segurança. O equipamento é utilizado no Brasil há três décadas, desde as eleições de 1996.
O coordenador explicou que a urna possui um hardware específico e mecanismos destinados a manter a segurança do equipamento mesmo quando ele está isolado.
“A urna eletrônica é uma dessas camadas, é um hardware específico, construído para fazer eleição, e só eleição, que possui mecanismos que garantem a sua segurança mesmo que ela esteja sozinha no meio do nada.”
Durante a entrevista, Cassimiro destacou que um dos principais objetivos dos mecanismos de segurança é garantir o sigilo do voto.
Segundo ele, esse cuidado é necessário para assegurar que somente o eleitor saiba qual candidatura escolheu. Por isso, o voto não é realizado por meio de celulares ou equipamentos pessoais.
“Como é que nós poderíamos garantir o sigilo do voto, se você está votando na frente do seu patrão, na frente de uma pessoa que tem um poder de coagi-los ou de obrigá-lo a votar em quem você não quer?”, questionou.
O coordenador afirmou que a Justiça Eleitoral busca garantir um ambiente em que o eleitor possa fazer sua escolha sem sofrer pressão.
“Quando você sai da sua casa, você vai para a sessão eleitoral com a consciência e o coração tranquilo, que você pode votar no candidato que você quiser e a Justiça Eleitoral brasileira garante que aquele voto só você saberá.”

Cassimiro também explicou como os votos são contabilizados após o encerramento da votação. Segundo ele, a apuração de cada urna acontece na própria seção eleitoral, e não em uma sala do TRE ou do TSE.
Na Paraíba, são 10.712 sessões eleitorais nas Eleições 2026, segundo informações divulgadas pelo TRE-PB.
Ao final da votação, os mesários realizam os procedimentos de encerramento e são impressas cinco vias do Boletim de Urna (BU).
“A apuração de cada uma das 10.712 urnas se dá na sessão eleitoral e não no TRE ou no TSE. Quando termina, a gente já vai publicizar o resultado.”
Uma das vias fica com o presidente da mesa, enquanto outra é afixada no local de votação para dar publicidade ao resultado. As demais são destinadas aos partidos e ao arquivamento pela Justiça Eleitoral.
O boletim também possui um QR Code, permitindo que as informações sejam consultadas e registradas por qualquer pessoa.
“Todo mundo pode tirar foto, tem um QR Code, você pode digitalizar, levar para casa com informação pública.”
Cassimiro explicou ainda que duas vias são arquivadas no cartório eleitoral por dez anos. Dessa forma, segundo ele, é possível consultar os resultados registrados em eleições anteriores.
Durante a entrevista, o coordenador também respondeu a questionamentos sobre vídeos que circulam na internet sugerindo que o código-fonte da urna poderia ser alterado para direcionar votos.
Cassimiro explicou que o código-fonte funciona como um conjunto de instruções que determina como o computador deve operar.
“O código-fonte nada mais é do que esse conjunto de instruções. Quando apertar um, faz isso; quando apertar o dois, faz aquilo; quando apertar o confirma, faz aquilo.”
Segundo ele, embora seja tecnicamente possível inserir comandos em um código, o sistema eleitoral possui mecanismos de fiscalização para identificar eventuais alterações.
O coordenador explicou que os códigos-fonte são disponibilizados para análise de partidos políticos, coligações, federações, OAB, Ministério Público, Polícia Federal e instituições de ensino da área de tecnologia, entre outros órgãos e entidades fiscalizadoras.
“Eles têm um ano para esmiuçar os nossos códigos-fonte e saber se tem, no nosso código-fonte, alguma coisa que macule, seja por falha, seja por fraude, o processo de votação.”
O TRE-PB também informa que as etapas de preparação das urnas são acompanhadas por entidades fiscalizadoras, incluindo representantes de partidos políticos, Ministério Público e OAB.

Cassimiro também citou o Teste de Integridade das Urnas Eletrônicas, realizado pela Justiça Eleitoral para verificar se os votos registrados em cédulas de papel correspondem aos resultados apresentados pelo equipamento.
Segundo o coordenador, as urnas submetidas ao procedimento são sorteadas entre equipamentos que já estavam preparados para funcionar normalmente nas seções eleitorais.
“A gente sorteia as urnas que já estão na sessão. No sábado, já instaladas, sorteia 20 urnas, traz para o Espaço Cultural.”
Durante o teste, são utilizadas cédulas preenchidas previamente. Os votos registrados no papel são digitados na urna, enquanto todo o procedimento é acompanhado e gravado.
“A gente digita cédula por cédula. Isso é gravado, tem uma câmera gravando a tecla da urna, grava a cédula que você vai ler.”
Ao final, o resultado registrado pela urna é comparado com os votos das cédulas utilizadas na auditoria.
O TRE-PB confirma que o teste é um procedimento público e auditável. No dia da eleição, as cédulas de papel são confrontadas com o Boletim de Urna para verificar a correspondência dos resultados.
Outro ponto destacado por Cassimiro foi que a urna eletrônica não funciona conectada à internet, Wi-Fi ou Bluetooth.
A transferência de informações utilizadas no equipamento ocorre por mídias físicas preparadas pela Justiça Eleitoral. O isolamento das redes faz parte das medidas de segurança adotadas no processo.
Cassimiro afirmou que o sistema também passa por atualizações e aprimoramentos tecnológicos para acompanhar novas ameaças.
Segundo ele, atualmente a urna utiliza criptografia de 512 bits, enquanto a Justiça Eleitoral já avalia mecanismos capazes de enfrentar possíveis ameaças relacionadas à evolução dos computadores quânticos.
“A gente já pensa em criptografia quântica para a urna eletrônica para resistir a ataques de computadores quânticos.”
Para o coordenador, a evolução tecnológica faz parte do processo de preparação das eleições e busca preservar a segurança do voto e a confiabilidade da apuração.
“É isso o produto urna eletrônica, é isso a eleição no Brasil. Apuração é uma votação rápida, uma apuração instantânea na sessão, a apuração acontece na sessão e uma totalização que cada vez mais a gente busca surpreendê-los com resultado mais próximo ali ao encerramento da votação.”