
A saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos, confirmada por fontes ouvidas pela agência Reuters nesta terça-feira (27), voltou a chamar atenção para outros políticos, ex-integrantes do governo Jair Bolsonaro e influenciadores ligados ao bolsonarismo que estão no exterior em meio a investigações, condenações ou processos judiciais no Brasil.
Flávio deixou o país após descumprir o prazo estabelecido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar os passaportes à Polícia Federal. A determinação ocorreu no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz. Ambos negam irregularidades.
Outros nomes ligados ao grupo político também foram para o exterior em diferentes circunstâncias. Entre eles estão o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem e a ex-deputada Carla Zambelli. Os casos têm situações judiciais distintas.
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos desde 2025. Em junho de 2026, a Primeira Turma do STF o condenou a quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto, pelo crime de coação no curso do processo.
Segundo o entendimento dos ministros, Eduardo articulou medidas do governo norte-americano contra o Brasil para tentar interferir no julgamento de seu pai, Jair Bolsonaro, condenado no processo sobre a tentativa de golpe de Estado.
Em outubro de 2026, Alexandre de Moraes determinou a execução da pena e a expedição de mandado de prisão. Eduardo permanece no exterior, e o nome dele consta no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões como pessoa com pena pendente de cumprimento.
O ex-deputado federal Alexandre Ramagem, que dirigiu a Abin durante o governo Bolsonaro, deixou o Brasil em setembro de 2025 e foi para os Estados Unidos.
Ele foi condenado pelo STF a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão no processo sobre a tentativa de golpe de Estado. O governo brasileiro formalizou um pedido de extradição às autoridades norte-americanas no fim de dezembro de 2025.
Em abril de 2026, Ramagem chegou a ser detido por agentes de imigração nos Estados Unidos, mas foi solto dois dias depois. O pedido de extradição continua sendo uma das questões envolvendo sua situação no exterior.
A ex-deputada federal Carla Zambelli deixou o Brasil e foi para a Itália em 2025, após condenações pelo STF. Ela foi condenada a dez anos de prisão no processo relacionado à invasão dos sistemas eletrônicos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Zambelli também recebeu uma pena de cinco anos e três meses no caso envolvendo perseguição armada a um homem em São Paulo, em 2022.
O processo de extradição teve desdobramentos diferentes. Em maio de 2026, a Justiça italiana negou um dos pedidos de extradição. Em julho, a Corte de Cassação determinou que outro julgamento, relacionado à extradição, fosse realizado novamente. Em outubro, uma audiência desse segundo processo foi adiada para 24 de novembro.
O ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques tentou deixar o Brasil rumo a El Salvador em dezembro de 2025, após romper o monitoramento eletrônico. Ele foi detido no aeroporto de Assunção, no Paraguai, ao tentar embarcar com documentos paraguaios falsos.
Vasques havia sido condenado pelo STF a 24 anos e seis meses de prisão no processo sobre a tentativa de golpe de Estado. Após a detenção, foi entregue às autoridades brasileiras e encaminhado à Polícia Federal. Portanto, diferentemente de outros nomes desta lista, ele não permaneceu no exterior após a tentativa de fuga.
O advogado Willer Tomaz também está no centro de investigações relacionadas a suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo plataformas de apostas on-line.
Segundo a Agência Brasil, Tomaz viajou para Miami, nos Estados Unidos, após ser alvo de busca e apreensão em agosto, no contexto da Operação Sem Desconto, que investiga descontos indevidos em benefícios de aposentados do INSS.
Em outubro, Alexandre de Moraes determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens e valores relacionados ao advogado, além da quebra de sigilos bancário, fiscal e cambial e da suspensão dos passaportes. A investigação também envolve Flávio Bolsonaro.
O blogueiro Allan dos Santos está nos Estados Unidos e é alvo de mandados de prisão preventiva expedidos pelo STF desde 2021, em investigações relacionadas aos inquéritos das Fake News e das Milícias Digitais.
O caso envolve apurações sobre a atuação do influenciador nas redes sociais e suspeitas de participação em ações contra instituições brasileiras. O Brasil busca sua extradição, mas ele continua fora do país.
O influenciador Oswaldo Eustáquio também deixou o Brasil e passou a viver na Espanha, onde é alvo de procedimentos judiciais brasileiros relacionados a acusações de incitação ao crime, ameaças e ataques às instituições democráticas.
Em dezembro de 2025, a Justiça espanhola negou definitivamente um pedido de extradição apresentado pelo Brasil. Segundo a decisão noticiada pela Agência Brasil, o tribunal considerou que o caso tinha motivação política. <Cite refs={[“turn147615search1”]}/>
A extradição é um procedimento de cooperação jurídica internacional que permite a um país solicitar que outro entregue uma pessoa procurada pela Justiça. O processo depende das leis do país onde ela se encontra, dos tratados aplicáveis e da análise das autoridades competentes.
Os casos de Ramagem, Zambelli e Eustáquio demonstram que os procedimentos podem seguir caminhos diferentes: há pedidos em análise, decisões que precisam ser refeitas e solicitações negadas por tribunais estrangeiros.
No caso de Flávio Bolsonaro, deputados do PT apresentaram uma solicitação ao STF pedindo a prisão preventiva do senador e a emissão de um alerta vermelho da Interpol, caso seja expedido mandado de prisão. O pedido, por si só, não significa que essas medidas tenham sido determinadas.